sexta-feira, 11 de julho de 2014

Paulo Franke - "Vitória de qualquer maneira!"

8. COPA... "Vitória de qualquer maneira!"

Relendo um comentário que fiz no "Brado de Guerra - contra todo o mal", de 1998, achei que se aplica muito bem a uma postagem deste blog, oportuna diante da sofrida derrota de ontem da nossa seleção contra a Alemanha. Acho que vale a pena conferir...


Se há alguma boa recordação que guardo da Copa do Mundo - de 1998 - destaco a que narro a seguir. Poucos momentos após o comandante anunciar que a decisão do jogo Brasil x Holanda seria por pênaltis, outro anúncio foi dado, dessa vez para que todos os aparelhos eletrônicos fossem desligados, pois haveria o procedimento de decolagem após a escala em Florianópolis. A aeronave taxiou lentamente até a pista principal, deu toda a força nas turbinas e decolou. Para os passageiros, no entanto, o tempo que durou essa operação de rotina pareceu interminável, ansiosos por saberem o que estaria acontecendo durante os pênaltis, se a derrota ou a vitória de noss seleção.

Mas dessa vez não foi necessário depender do anúncio do comandante, concentrado em fazer levantar o grande avião. Foi somente olhar pela janelinha e ver os fogos que se misturavam às luzes da bela ilha de Santa Catarina à noite, em toda a sua extensão, anunciando que o Brasil vencera mais uma vez! Já suspensa no ar a aeronave, acabara-se o suspense no coração, e todos nós, vibrantes, ouvíamos o comandante dar os detalhes dos pênaltis. E o espetáculo de luzes foi ficando para trás enquanto o avião prosseguia dentro da noite. O que importava agora a forte turbulência que se fazia sentir se a vitória cuidava de encher o ambiente e fazer vibrar o coração de quase todos os passageiros?

Embora aquela vitória tenha fugido dos brasileiros, quero prender-me ainda a este tema, uma vez que vitória não é uma palavra que somente soa bem, mas por ser altamente desejável para as diversas experiência de nossa vida. Vitória, de modo geral, é algo inerente à comemoração, júbilo, homenagem e destaque. No gramado, a vitória é a meta - ou o gol - a ser atingida; os craques de equipes vencedoras reluzem em um firmamento de glória terrena e em torno de seus nomes o sensacionalismo não tem limites. Não somente no campo esportivo, mas em qualquer setor da vida, quem vence alcança a experiência mais desejável do ser humano.
No campo espiritual, no entanto, a vitória pode expressar-se de uma forma bem diferente, embora o seu significado real mesmo alguns cristãos contemporâneos - que dizem basear a sua fé na Bíblia - parecem não captar.


Visitando o Coliseu em Roma
Na carta aos Romanos 8:31-39, após enumerar uma série de circunstâncias adversas pelas quais passavam os cristãos primitivos - tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada - o sábio apóstolo Paulo emprega paradoxalmente a palavra vencedores: "Em todas estas cousas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amor." Paulo foi um vencedor, mas, segundo a história, foi decapitado; os heróicos cristãos primitivos são considerados vencedores, mas morreram como mártires, aos milhares, nas arenas romanas.

A vitória do cristão genuíno manisfesta-se na maioria das vezes de forma diferente segundo o mundo a interpreta, não sendo entendida e, portanto, chamada de derrota. Sua vida é marcada por lutas e tentações, mas ela é assegurada pela presença viva de seu Salvador, que o fortalece. Apesar de todas as aparências contrárias, no íntimo o cristão verdadeiro rejubila-se e é animado constantemente pela certeza de que está nas mãos de Deus e que todas as promessas divinas para o seu bem-estar espiritual, neste mundo e no vindouro, estão-se cumprindo cabalmente. 



Nas ruínas de Corinto, Grécia.

Disse Pascal: "A vida com Cristo é sempre vitoriosa, apesar de momentos de aparente derrota. A vida sem Cristo é uma derrota permanente, apesar de momentos de aparente vitória." Porém, quem melhor traduziu a essência de vitória na experiência do cristão foi também o apóstolo Paulo, quando escreveu "... como enganadores, e sendo verdadeiros; como desconhecidos, e entretanto bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo e contudo eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres, pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo" (2 Coríntios 6:8-10).


Mas extraindo uma lição última daquela experiência de estar voando durante um jogo decisivo da Copa do Mundo, devemos aprender a reter o sentimento ou a experiência da vitória, sem susto, mesmo quando as luzes e os fogos de artifício ficarem para trás (lembremo-nos do fato de que eles podem ser exatamente... artificiais). E quando surgirem turbulência diante de nuvens escuras na etapa seguinte de nossa jornada, que acionemos os infalíveis dispositivos da fé, confiando no Piloto de nossas vidas, que não é um "piloto automático, mas que cuida de nós, individualmente, com comprovada perícia, amor e poder. Pela fé podemos ser vitoriosos até o "final", isto é, até alcançarmos a vitória final, lá... "onde os ventos não se alteram nem se agita o grande mar", conforme palavras do belo hino. 

Que em nossas vitórias disfarçadas de derrotas, lembremo-nos de outras palavras da poesia evangélica: "Deus presente está também nas sombras" ou "Tu verás que um arco-íris cada nuvem traz", não nos esquecendo do que a Palavra de Deus diz: "Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé" (1 João 5:4).

Portanto, vitória, de qualquer maneira!

pf

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